
"Passa a noite. O sol levanta-se.
Com ele as varinas que esperam ansiosas pelo regresso dos seus homens, que foram para o alto-mar.
Na praia, olhando o mar por entre a neblina, com as suas canastras, as varinas avistam barcos ao longe. Trarão homens, redes para coser e também muito peixe para vender. Os barcos são puxados para a praia.
Ao chegarem a terra, os pescadores de corpo cansado dão a suas esposas um beijo de alegria, que lhes dará força para a venda de mais um dia.
O peixe já fora abundante, agora tem que dar para sustentar a família. Os casais retiram os peixes da rede, enchendo as canastras que levarão o peixe à lota.
Entre pregões e cantorias, a varina, descalça, amarra o cabelo num puxo, aliviando o calor que se faz sentir. E vende o seu peixe dizendo: "É do alto-mar, fresquinho!".
O freguês, que escuta tão forte expressão, apressa-se a comprar um bom peixe do nosso mar, mantendo a tradição.
À tarde, puxando pela mão o carrinho com o peixe, fazem-se ouvir pelas praias na esperança de vender o que restou. Ao final do dia, conta-se o ganho e cosem-se as redes para mais tarde regressar ao mar.
Em Esmoriz, mantém-se uma das maiores festas do Mar: o Sr. dos Aflitos e a Nossa Senhora da Boa Viagem que todos os dias acompanham os pescadores nas suas pescarias.
E há mais de 100 anos vem-se mantendo a tradição, a romaria e a maresia que os pescadores e as varinas trazem sempre no seu coração."
"Saber a mar", Cristina e Joana.



